11 de maio de 2011

A Morte Devagar - Martha Medeiros

Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.

Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe. Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.

A GENTE SE ACOSTUMA

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.

A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.

A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.

A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.

A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Dez passos para criar um delinquente...

1. Comece na infância dando ao seu filho tudo o que ele quiser, assim quando ele crescer, achará que o mundo tem obrigação de lhe dar tudo o que deseja.
2.Quando ele falar nomes feios, ache graça, isso o fará considerar-se importante e desconsiderar aos demais desde pequeno.
3.Nunca lhe dê orientação religiosa, espere até que tenha 21 anos e decida por si mesmo, a sociedade o ajudará, mesmo que ele se torne um fanático e seja explorado financeiramente.
4.Apanhe tudo o que ele deixar jogado, faça tudo para que ele aprenda a jogar suas responsabilidades nos outros.
5.Discuta com frequência na frente dele, principalmente aos 7 anos. Assim ele não se assustará quando o lar dele se desfizer mais tarde.
6. Dê todo o dinheiro que ele quiser, nunca o deixe ganhar seu próprio dinheiro. Assim você o pouca de passar pelas mesmas dificuldades que você passou, mesmo quando ele acabar com todo o patrimônio.
7. Satisfaça todos os seus desejos, afinal isso poderia acarretar frustrações prejudiciais.
8. Tome o partido dele contra os vizinhos, policiais... Afinal, ninguém tem direito de educar seu filho a não ser a TV e a empregada.
9. Não oriente quanto às amizades, mesmo que os parentes lhe avisem que parecem traficantes, e quando ele se meter em encrenca séria, dê a desculpa que nunca conseguiu dominá-lo.
10. Quando estiver em profundo desgosto da vida, console-se, diga que é o seu destino e o dele, que Deus quis assim...

11 de fevereiro de 2011

Abelha, mas sem o chapéu!

The Time...


Ouvi isso de alguém por esses dias e achei legal. Só não gostei da última parte, é muito clichê.

• Para saber o valor de um ano, pergunte a um estudante que repetiu de ano.
• Para saber o valor de um mês, pergunte para uma mãe que teve seu bebê prematuramente.
• Para o valor de uma semana, pergunte a um editor de jornal semanal.
• Para saber o valor de uma hora, pergunte aos amantes que estão esperando para se encontrar.
• Para saber o valor de um minuto, pergunte a uma pessoa que perdeu o trem.
• Para saber o valor de um segundo, pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente.
• Para saber o valor de um milésimo de segundo, pergunte ao atleta que recebeu a medalha de prata em uma Olimpíada.

Valorize cada momento que você tem! E valorize mais porque você deve dividir com alguém muito especial, especial o suficiente para gastar o seu tempo junto com você. Lembre-se que o tempo não espera por ninguém.

Ontem é história. Amanhã é um mistério. Hoje é uma dádiva. Por isso é chamado de presente!


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